Empoderamento é uma palavra interessante, vem do inglês empowerment e recebe uma tradução adaptada e pouco precisa, deixando margem a interpretações a depender do contexto. Fala-se de empoderamento feminino, das minorias, dos colaboradores das empresas, entre tantos outros. Em essência, o termo se refere a uma condição afirmativa que permite posicionamento pessoal, autonomia nas escolhas e protagonismo nas ações. Também expressa um sentimento de poder e capacidade de realização.
Iremos aqui nos deter no empoderamento nos ambientes organizacionais e em sua relação com o Coaching Executivo e Empresarial. Pink (2010, p.99) afirma: “A resolução de problemas complexos exige uma mente inquisitiva e predisposição para expor nosso padrão a soluções originais.” Diz que isso é conquistado com empenho. “Só o empenho conduz à excelência. Infelizmente, apesar de palavras bonitas como empowerment rondarem os corredores das empresas, a característica mais marcante do local de trabalho da atualidade é a falta de empenho e a displicência quanto à excelência.” Embasa essa afirmação em “extensa pesquisa realizada pelo Gallup mostrando que, nos Estados Unidos, mais de 50% dos funcionários não estão empenhados no trabalho – e quase 20% acham-se realmente desengajados.”
Um resultado que parece mostrar uma discrepância entre o desejo e a realidade do empoderamento. Mesmo sendo a pesquisa limitada aos Estados Unidos, nossa observação das empresas aponta para um cenário bastante parecido. Mas qual a relação disso com o Coaching?
Uma primeira questão pode ser considerada: quais motivos levam alguém a procurar Coaching?
Em nossa experiência, temos atendido essencialmente pessoas que querem ampliar sua capacidade de realização, levar seu potencial a níveis mais altos de utilização, obter mais satisfação pessoal e visão de estar atuando com propósito e significado. Pessoas que buscam ser melhores do que já são. Que querem responder à pergunta: como fazer melhor que isso? Que desejam imprimir a suas vidas a expressão mais plena do empoderamento, empenho para conquistá-lo e excelência em seu trabalho.
Uma segunda pergunta intimamente ligada à anterior é: quem é o cliente de Coaching?
A partir da premissa que Coaching trabalha com os dilemas da vida e do trabalho, escolhas conscientes, novas formas de pensar e agir sobre as situações atuais, condução de relacionamentos pessoais e profissionais, orientação para metas, alternativas para alcançá-las e riscos envolvidos, ficam de fora as demandas por psicoterapia e os tratamentos para problemas emocionais e existenciais.
O Coaching sério e profissional não se propõe a tratar traumas, fixações em determinados momentos da vida, dores emocionais profundas, pendências familiares importantes, depressões ou qualquer outro tipo de transtorno psicológico que merece e exige um atendimento especializado e formação específica nas áreas de Psicologia e Psiquiatria.
Mesmo a busca de maior autoconhecimento e autoconsciência, com resgate de situações passadas, a revisão e ressignificação da história de vida de alguém, não são objeto do Coaching.
O cliente de Coaching é, então, alguém com o equilíbrio emocional necessário para dar conta de um processo breve, porém transformador, com suas questões emocionais básicas minimamente conhecidas e administradas. Naturalmente traz para as sessões suas emoções, dúvidas, dificuldades, ansiedades, frustrações, expectativas, naturais a qualquer pessoa, porém sem travas emocionais e com um nível de entendimento que permite reflexões e questionamentos sobre o “como” e o “aqui e agora”, que poderão conduzir rapidamente às mudanças desejadas e à condição afirmativa de autonomia e ação que o empoderamento traz.
Além de olhar para si, o Coachee é convidado também a considerar as questões do ambiente com poder de afetar a dinâmica e a qualidade de suas relações de trabalho, envolvendo aspectos como uso de poder, autoridade, enfrentamento e solução de conflitos, padrões culturais da organização a que pertence, entre outros.
É um trabalho direcionado e consistente de redução de interferências internas e externas que podem estar, circunstancialmente, limitando a mais ampla expressão do potencial do Coachee e prejudicando sua performance, especialmente profissional. Como preconiza Galwey (2013, p.31), dentro de sua abordagem, “esse entendimento poderia ser colocado em uma fórmula simples que define o Inner Game
P = p – i
Performance = potencial – interferências
Conscientização ou tomada de consciência são palavras que expressam bem os resultados do processo, onde o Coachee é convidado a refletir sobre sua ação atual e analisar os aspectos em que pode obter melhorias qualitativas em suas atitudes e comportamentos, com impactos reais sobre toda sua rede de relacionamentos, sejam profissionais, pessoais, familiares. Resultados quantitativos vêm como consequência…
No Coaching Executivo e Empresarial, esse intenso trabalho de olhar para si e para seu ambiente profissional, identificando e agindo sobre as variáveis que afetam sua performance, amplia gradativamente para o Coachee uma nova realidade, onde o sentimento de empoderamento e capacidade de ação tornam-se cada vez mais presentes.
O Coach torna-se um participante privilegiado de todo o processo de reflexões, revisões, redefinições, reposicionamentos e mudanças conquistadas pelo Coachee. Podemos relatar brevemente alguns casos para ilustrar.
Um diretor de negócios de uma empresa líder em seu segmento vinha fazendo uma carreira brilhante. Profundo conhecedor de seu mercado e da tecnologia de sua área, tinha em seu estilo de liderança mais centralizador e autoritário um grande entrave ao seu desempenho e um importante limitador a uma atuação mais estratégica. Sua meta foi claramente estabelecida: manter sua iniciativa, prontidão de respostas, assertividade e firme capacidade de ação, substituindo, no entanto, o autoritarismo por autoridade de comando, o falar impulsivo e imediato por saber ouvir e ponderar antes de manifestar – se, a postura crítica pela capacidade de desenvolver a equipe, reconhecer e valorizar os feitos de outras pessoas.
Uma profissional mãe de família optou por prestar serviços de secretaria e apoio administrativo em sua própria casa, de modo a conciliar as exigências de sua vida. Seu negócio foi dando certo, seus trabalhos eram cada vez mais requisitados, no entanto, ela precisava conquistar uma nova condição de empresária, ter permissão interna para estabelecer efetivamente sua empresa, abrindo-a para o mercado, contratando equipe e ampliando seu portfólio de serviços e de clientes.
Uma gerente da área de tecnologia da informação era bastante preparada tecnicamente, tinha domínio sobre as demandas do seu dia a dia e era bastante reconhecida por isso, sendo considerada para ocupar a posição de diretora, dado o crescimento e expansão de sua empresa. Sentia-se, porém, bastante insegura para assumir e defender posições frente às questões mais estratégicas exigidas em seu novo escopo de trabalho. O presidente da empresa esperava que ela “estivesse à altura de sua cadeira” e ela precisava com urgência ganhar voz e desenvoltura dentro da diretoria.
São alguns exemplos que mostram o enorme empenho que um Coachee deve imprimir ao seu processo de conscientização e mudanças. Exige abertura e coragem de olhar para si, ver-se no centro das questões, identificar o que está ao seu alcance e depende principalmente de si, fugindo das justificativas mais fáceis e da espera de que os outros ou o ambiente mudem primeiro.
O Coach torna-se uma referência segura com quem contar de forma isenta e não julgadora. Oferece uma neutralidade que estimula uma autocrítica positiva e transformadora, uma condição de buscar mudanças, testá-las e avaliar os resultados. Abre um canal de confiança, parceria e comemoração dos avanços e conquistas.
No entanto, o Coach é apenas um coadjuvante. O Coachee é o grande protagonista e responsável por suas escolhas. Durante o processo de Coaching, ele pode ouvir diferentes opiniões, buscar feedbacks, levantar informações, considerar alternativas, pesquisar caminhos e tendências, ser instigado e estimulado pelo Coach, mas a escolha final é sempre solitária e individual. É ele quem irá definir, testar e validar novos padrões de ação.
É o Coachee quem determina o sucesso do Coaching. Quando o Coaching funciona de fato, o Coachee torna-se autônomo e capaz de seguir por si, fortalecendo seu empoderamento, mantendo e ampliando suas conquistas.
Bibliografia
PINK, D. H. Motivação 3.0 – Os novos fatores motivacionais para a realização pessoal e profissional. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
GALLWEY, W. T. The Inner Game – A essência do Jogo Interior – performance, aprendizado e prazer no ambiente corporativo. São Paulo: NewBook, 2013
Rosangela Bacima
Estrategista e consultora em Gestão de Pessoas, Desenvolvimento Humano e Organizacional.
Coach Executivo e Empresarial, Mentora de Liderança, Especialista em The Inner Game Coaching.
Psicóloga, pós-graduada em Administração de Empresas e Mestre em Organização de Recursos Humanos.
Bem-estar no trabalho: pessoal e organizacional


